Canetas emagrecedoras mudam cardápios de restaurantes

O avanço das canetas emagrecedoras está mudando os hábitos dos clientes de bares e restaurantes no Brasil. Uma pesquisa da Abrasel mostra que 61% dos estabelecimentos já perceberam alterações no comportamento dos…

Canetas emagrecedoras mudam cardápios de restaurantes
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O avanço das canetas emagrecedoras está mudando os hábitos dos clientes de bares e restaurantes no Brasil. Uma pesquisa da Abrasel mostra que 61% dos estabelecimentos já perceberam alterações no comportamento dos consumidores.

Casais passaram a dividir pratos com mais frequência. O consumo de bebidas alcoólicas caiu em algumas ocasiões. As sobremesas, antes individuais, agora são compartilhadas.

Em Curitiba (PR), o restaurante Babilônia sentiu essa mudança na prática. O sócio-proprietário Marcelo Woellner notou que os clientes pediam porções menores e dividiam os pratos com mais frequência. Após analisar os dados de vendas, ele criou uma nova seção no cardápio chamada “Mais Leves”, com versões reduzidas dos pratos clássicos. As opções para compartilhar também foram reformuladas.

“É visível a diminuição da ingestão de alimentos, a solicitação de pratos com porções menores e também o compartilhamento de pratos. Assim que percebemos esse movimento, compilamos nossos dados de vendas e criamos uma seção exclusiva com versões reduzidas dos nossos pratos clássicos, além de revisarmos os pratos para compartilhar”, disse Woellner.

Esse cenário ganhou força em 2025 com a chegada de versões mais acessíveis dos medicamentos. A expectativa é que a tendência se intensifique em 2026, com a ampliação da oferta desses remédios no mercado.

Adaptação como oportunidade

Para o gestor da Carteira de Alimentos e Bebidas do Sebrae Nacional, Bruno Lopes, a mudança no perfil do consumidor não precisa significar perda de faturamento. “A estratégia não deve ser lutar contra essa tendência, mas adaptar a operação e a precificação. O consumidor continua frequentando restaurantes, mas quer mais autonomia, porções adequadas e alimentos que entreguem valor nutricional. Quem entender esse comportamento conseguirá preservar a rentabilidade e fidelizar clientes”, avalia.

O Sebrae recomenda que os restaurantes criem versões reduzidas dos pratos, sem simplesmente dividir o preço pela metade, já que mão de obra e estrutura permanecem as mesmas. Outra orientação é investir em proteínas de maior valor agregado, reduzir acompanhamentos de baixo valor percebido, oferecer sobremesas em porções menores ou compartilháveis e permitir que o cliente personalize a quantidade de proteína e acompanhamentos.

Na avaliação de Lopes, esse novo comportamento também representa uma chance de diferenciação para os pequenos negócios. Investir em refeições compactas e hiper proteicas, desenvolver produtos funcionais para panificação e confeitaria e oferecer cardápios com informações nutricionais claras são estratégias que podem agregar valor ao negócio. “O consumidor está mais atento à composição dos alimentos e busca opções que atendam aos seus objetivos de saúde sem abrir mão da experiência de comer fora”, destaca.

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