Pequenos negócios do Brasil usam mais IA que os EUA, diz Sebrae

Os pequenos negócios do Brasil estão usando inteligência artificial (IA) em um ritmo mais acelerado do que as empresas dos Estados Unidos. A informação é da pesquisa inédita Transformação Digital nos Pequenos…

Pequenos negócios do Brasil usam mais IA que os EUA, diz Sebrae
Foto: Divulgação

Os pequenos negócios do Brasil estão usando inteligência artificial (IA) em um ritmo mais acelerado do que as empresas dos Estados Unidos. A informação é da pesquisa inédita Transformação Digital nos Pequenos Negócios (2026), feita pelo Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa.

O levantamento foi realizado entre 24 de março e 8 de maio, com 7.182 entrevistados, entre microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs). Os dados mostram que 52% dos empreendedores brasileiros usaram IA nas duas semanas anteriores à entrevista. Nos EUA, o índice é de 21%, conforme pesquisa equivalente do U.S. Census Bureau (BTOS).

A intenção de uso também é maior no Brasil: 60% dos empresários pretendem adotar ou ampliar o uso da ferramenta no próximo semestre. Entre os norte-americanos, o percentual é de 24%. Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o comportamento reflete a criatividade do empreendedor brasileiro diante de novas tecnologias.

“O nosso empresário percebeu que a IA não é uma realidade distante de grandes corporações, mas sim uma ferramenta de competitividade diária que cabe no bolso e ajuda no dia a dia da empresa”, destaca.

Aliada, não substituta

A pesquisa indica que a IA atua como apoio, e não como motivo para demissões. No Brasil, 90% dos pequenos negócios que usam IA não alteraram o número de funcionários nos últimos seis meses por causa da tecnologia. Apenas 5% reduziram postos de trabalho e 3% aumentaram contratações motivadas pela IA. Nos EUA e no Brasil, a tecnologia alterou o quadro de funcionários em menos de 10% das empresas.

O principal uso da IA foi para aprimorar tarefas já feitas por colaboradores (28%) e introduzir novas funções (19%). Quando houve substituição de tarefas, 55% dos empresários disseram que a mudança envolveu poucas atividades específicas.

No mercado brasileiro, 46% dos negócios precisaram criar novos fluxos de trabalho para usar as ferramentas. Nos EUA, 64% das empresas afirmaram que a IA não exigiu mudanças na estrutura da empresa. No Brasil, esse percentual foi de 33%.

Perfil de uso

A adoção da IA no Brasil é maior entre empresas de pequeno porte (EPP), com taxa de uso de 61%, principalmente no setor de Serviços (62%). Empreendedores de 18 a 29 anos (78%) e com pós-graduação (75%) são os que mais aplicam a tecnologia.

A principal barreira para quem ainda não usa IA é a desinformação. Entre os empresários que não planejam adotar a ferramenta, 38% citam “falta de conhecimento sobre as capacidades da IA”. Nos EUA, o principal motivo é que a tecnologia “não se aplica ao negócio” (62%).

“O recado da pesquisa é claro: o empreendedor quer usar, mas muitos ainda não sabem por onde começar. O Sebrae conta com cursos e consultorias para apoiar o pequeno negócio nesse desafio, para transformar esse desconhecimento em produtividade aplicada às rotinas operacionais, de marketing e finanças dessas empresas”, reforçou Rodrigo Soares.

O Sebrae oferece cursos como IA para gestão do pequeno empreendedor – Finanças, com 6h de duração, e IA na prática para pequenos negócios, com 3h, que ensina conceitos básicos de IA generativa e criação de prompts. Também há opções voltadas à gestão de pessoas, com 6h, e para gestores públicos, com 4h. O programa nacional e gratuito Negócio em dIA é uma parceria entre Google, Sebrae, Itaú Unibanco e Tera para capacitar pequenos e médios empreendedores.

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