Atestado por luxação no ombro: quantos dias o médico dá e o que o INSS exige
O prazo do atestado por luxação no ombro depende do braço afetado, do trabalho e de ser a primeira vez.

Um auxiliar de logística cai da escada do depósito, apoia a mão no chão e sente o ombro sair do lugar. No pronto-socorro, a articulação é recolocada, o braço vai para a tipoia e vem a pergunta que ele faz antes mesmo de perguntar pela dor: quantos dias de atestado por luxação no ombro o médico vai dar. A resposta não é um número fixo. Ela depende do braço afetado, do tipo de trabalho e de o ombro ter saído pela primeira vez ou de novo.
Quem avalia esse quadro com frequência, como um médico de ombro, costuma dividir a decisão em duas partes. A primeira é o tempo que o ombro precisa ficar imobilizado para a cápsula cicatrizar. A segunda é o tempo que a pessoa precisa para conseguir fazer o próprio trabalho sem risco de o ombro sair outra vez. As duas raramente coincidem.
O que acontece no ombro quando ele sai do lugar
A luxação mais comum é a anterior: a cabeça do úmero escapa para a frente da cavidade da escápula. No caminho, ela rasga parte do lábio da glenoide e estica a cápsula que segura a articulação. Esse dano interno é o motivo de o atestado não terminar quando a dor passa.
Na primeira semana, o ombro dói ao menor movimento e a tipoia fica o dia inteiro. Da segunda semana em diante, a dor cede, mas a cápsula ainda está frouxa. É nesse intervalo que muita gente volta ao trabalho cedo demais, força o braço e provoca o segundo episódio.
Em pessoas com menos de 25 anos, a chance de o ombro sair de novo depois do primeiro episódio é alta, o que faz o médico ser mais conservador com o prazo. Depois dos 40, a recidiva cai, mas cresce o risco de lesão do manguito rotador associada.
Atestado por luxação no ombro: prazos comuns por tipo de trabalho
Os prazos abaixo são os que aparecem com mais frequência na prática. O médico assistente ajusta para cima ou para baixo conforme a evolução, e o atestado pode ser renovado.
| Situação | Afastamento comum | O que define |
|---|---|---|
| Trabalho de escritório, braço não dominante | 7 a 15 dias | Conseguir digitar e se deslocar com a tipoia |
| Trabalho de escritório, braço dominante | 15 a 21 dias | Uso do mouse e escrita sem dor |
| Trabalho braçal leve (balcão, atendimento) | 21 a 30 dias | Movimento acima da cabeça liberado |
| Trabalho pesado (carga, construção) | 30 a 60 dias | Força recuperada e fisioterapia concluída |
| Luxação recorrente com cirurgia | 60 a 120 dias | Liberação do cirurgião após reabilitação |
Um detalhe que pesa: se a luxação aconteceu no trabalho, a empresa precisa emitir a CAT, a comunicação de acidente de trabalho, e o afastamento passa a ter estabilidade de 12 meses na volta.
Como funciona o afastamento passo a passo
O trâmite muda quando o atestado ultrapassa 15 dias. Até ali, o salário sai da empresa. A partir do 16º dia, entra o INSS.
- O pronto-socorro emite o primeiro atestado, em geral de 7 a 15 dias, com o CID S43.0.
- Na consulta de retorno, o ortopedista avalia a dor e a estabilidade e decide se renova o prazo.
- Se a soma passar de 15 dias, o trabalhador agenda a perícia do INSS pelo aplicativo Meu INSS.
- Na perícia, apresenta o atestado, o laudo dos exames e a descrição da função que exerce.
- O perito fixa a data de cessação do benefício, que pode ser prorrogada com novo pedido.
- Na alta, o médico da empresa faz o exame de retorno e confirma a aptidão para a função.
O que a perícia do INSS realmente avalia
O perito não olha o diagnóstico isolado. Ele cruza a lesão com a atividade. Uma luxação em quem trabalha sentado e uma luxação em quem carrega caixas geram decisões diferentes com o mesmo exame.
Ajuda levar o laudo da ressonância ou da radiografia, a descrição da fisioterapia em andamento e um relatório do ortopedista dizendo o que o paciente ainda não pode fazer. A palavra "não pode levantar o braço acima de 90 graus" pesa mais na perícia do que "está com dor".
Quando a cirurgia muda o prazo
Se o ombro saiu duas ou três vezes, ou se o primeiro episódio aconteceu em um jovem atleta, o ortopedista pode indicar a cirurgia de Bankart, que recostura o lábio da glenoide. Ela costuma ser feita por artroscopia.
Depois da cirurgia, a tipoia fica de quatro a seis semanas, e a reabilitação leva de três a seis meses até a liberação para esporte ou trabalho pesado. O atestado por luxação no ombro, nesse cenário, deixa de ser um documento de duas semanas e vira um benefício previdenciário acompanhado por perícias sucessivas.
Voltar antes da hora custa caro
O erro mais comum é o trabalhador pedir a volta porque a dor sumiu. A ausência de dor na terceira semana não significa cápsula cicatrizada. Um puxão ao subir num caminhão, um escorregão ao segurar uma caixa, e o ombro sai de novo.
Cada nova luxação aumenta a perda óssea na glenoide e reduz a chance de o tratamento sem cirurgia funcionar. Por isso o médico prefere um atestado mais longo e uma volta gradual, com restrição de carga e de movimento acima da cabeça nas primeiras semanas de retorno.
Direitos que passam despercebidos
Se houve CAT, o trabalhador tem estabilidade de 12 meses depois da alta do INSS e continua recolhendo FGTS durante o afastamento. Sem CAT, o benefício é o comum, sem estabilidade, e o FGTS para.
Outro ponto: a carência de 12 contribuições exigida para o benefício por incapacidade não se aplica a acidentes de qualquer natureza, inclusive uma queda fora do trabalho. Quem se filiou há pouco tempo ao INSS ainda pode receber.
O que fazer em casa enquanto o atestado corre
Nas duas primeiras semanas, a tipoia fica inclusive para dormir, e o braço só sai dela para o banho, com o cotovelo colado ao corpo. Gelo três vezes ao dia por 15 minutos ajuda com o inchaço.
Da terceira semana em diante, a fisioterapia começa com movimentos passivos e evolui para fortalecimento do manguito rotador. Quem faz a reabilitação completa tem menos recidiva do que quem só espera a dor passar. Esse é o argumento que o ortopedista usa para justificar o prazo do atestado.
Perguntas frequentes sobre atestado por luxação no ombro
Quantos dias de atestado o pronto-socorro dá?
Em geral, de 7 a 15 dias no primeiro atendimento. O prazo definitivo é decidido na consulta de retorno com o ortopedista.
Preciso passar pelo INSS?
Só quando o afastamento passa de 15 dias seguidos. Até esse ponto, o pagamento é da empresa.
Qual é o CID da luxação do ombro?
S43.0 é o código da luxação da articulação do ombro. Ele deve constar no atestado e nos laudos entregues na perícia.
Luxação no trabalho dá estabilidade?
Sim, se a empresa emitir a CAT e o afastamento passar de 15 dias. A estabilidade é de 12 meses após a alta.
Posso voltar com restrição de função?
Pode. O médico pode liberar o retorno com restrição de carga e de movimento acima da cabeça por algumas semanas.
A cirurgia aumenta o tempo de afastamento?
Aumenta. Depois da cirurgia de Bankart, o afastamento de trabalho pesado costuma ficar entre dois e quatro meses.
Resumo
O atestado por luxação no ombro começa curto, de 7 a 15 dias, e cresce conforme o trabalho exige do braço: escritório volta antes, carga volta depois, cirurgia volta por último. Acima de 15 dias o caso vai ao INSS, onde o que pesa é a relação entre a lesão e a função. Voltar antes da cápsula cicatrizar é o caminho mais curto para uma segunda luxação.

