Sebrae em SP: pequenos negócios são estratégicos

O primeiro dia do Encontro Nacional de Conselheiros e Conselheiras do Sistema Sebrae (CDN) foi marcado por discussões sobre o crescimento dos pequenos negócios no Brasil, os desafios da governança institucional e…

Sebrae em SP: pequenos negócios são estratégicos
José Zeferino Pedrozo, presidente do CDN | Foto: Túlio Vidal

O primeiro dia do Encontro Nacional de Conselheiros e Conselheiras do Sistema Sebrae (CDN) foi marcado por discussões sobre o crescimento dos pequenos negócios no Brasil, os desafios da governança institucional e os impactos das transformações econômicas globais. O evento ocorreu nesta terça-feira (26/5) em São Paulo.

O encontro reuniu representantes dos conselhos estaduais e dirigentes do Sistema Sebrae. O objetivo foi discutir o papel da instituição no fortalecimento do empreendedorismo brasileiro e na preparação dos pequenos negócios para um contexto econômico mais digital, competitivo e internacionalizado.

O presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, destacou números do setor. Segundo dados da Receita Federal compilados pelo Sebrae, o Brasil registrou recorde histórico de abertura de empresas em 2025, com 5,1 milhões de novos negócios. Desse total, 96% são MEI, micro e pequenas empresas.

Soares também falou sobre a atuação da instituição em crédito orientado, qualificação empreendedora e inclusão produtiva. Ele celebrou a aprovação da nova política internacional do Sistema Sebrae, considerada estratégica para ampliar a presença dos pequenos negócios no mercado externo. “Essa atualização fortalece governança, planejamento e segurança jurídica”, afirmou.

Ao comentar as oportunidades do acordo Mercosul-União Europeia, Soares disse que “o acordo abre oportunidades importantes para os pequenos negócios brasileiros acessarem novos mercados”. O presidente também destacou iniciativas de inclusão produtiva. Segundo ele, cerca de 25% dos MEIs atendidos pelo Sebrae estão ligados a ações em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social.

O presidente do CDN, José Zeferino Pedrozo, celebrou o encontro em um momento de fortalecimento da governança do sistema. “Conselhos fortes, bem estruturados e tecnicamente preparados são essenciais para um sistema coeso e alinhado”, disse. Pedrozo ressaltou que o evento marca o último encontro nacional dos conselheiros da atual gestão.

O economista Eduardo Gianetti afirmou que o mundo vive o encerramento do ciclo da hiperglobalização. Segundo ele, a combinação entre crise financeira, pandemia, concentração produtiva e guerra comercial alterou a lógica econômica internacional. “O mundo percebeu que dependência extrema também gera fragilidade”, afirmou.

Gianetti avaliou que o Brasil pode ser beneficiado pela reorganização das cadeias globais de produção. Ele destacou que o país possui vantagens em áreas como segurança alimentar e biodiversidade. No entanto, afirmou que o país ainda participa pouco do comércio internacional. “Só 12 mil micro e pequenas empresas exportam hoje no Brasil”, disse.

O ministro do TCU, Bruno Dantas, defendeu que governança eficiente depende da combinação entre regras, rotinas e cultura organizacional. “Integridade não pode ser uma virtude individual. Ela precisa ser institucional”, afirmou. Dantas disse que ambientes com pressão por resultados ampliam o risco de falhas institucionais sem estruturas sólidas de governança.