Uma nova iniciativa do governo federal vai incentivar a comercialização de produtos de artesãos de todo o país. O investimento anunciado é de cerca de R$ 28 milhões para fortalecer o artesanato nacional. As medidas estão divididas em três frentes: estrutura para circulação da produção, modernização do cadastro nacional e qualificação dos artesãos.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, destacou a importância do investimento. Segundo ele, o artesanato movimenta a economia, gera emprego e renda para milhares de famílias e retrata a realidade dos territórios.
Entre as ações anunciadas estão o novo Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab) e a entrega de 25 caminhões para apoio à comercialização, 26 veículos administrativos e 52 notebooks para as coordenações estaduais. O pacote também prevê a implantação de cinco novos Laboratórios Criativos, espaços de formação prática onde os artesãos podem aprimorar técnicas e desenvolver produtos com mais valor agregado.
Segundo estudo do Sebrae divulgado em evento no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), o segmento do artesanato cresceu 26% nos últimos dez anos. A pesquisa, encomendada pela Unisinos, aponta que cerca de 1,3 milhão de pessoas estão em ocupações ligadas ao artesanato. A distribuição dos artesãos acompanha a concentração populacional, com destaque para a região Sudeste (43,3% do total). Entre os estados, Ceará (7,0%) e Pernambuco (3,6%) têm as maiores participações.
Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato
No mesmo evento, o Sebrae lançou a 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, com o objetivo de dar mais visibilidade e oportunidades de negócios aos artesãos. As inscrições estão abertas até 30 de abril.
Miguel de Souza, artesão de Betim (MG) premiado na última edição, recomendou a participação. Ele disse que o prêmio mudou a valorização do seu trabalho. Miguel é a terceira geração de artesãos, iniciada pela avó Joana Isabel de Assunção, em Pernambuco, com peças de argila. O trabalho atual dele mistura folclore mineiro e religiosidade. O ateliê preserva a memória familiar e técnicas ancestrais. Miguel afirmou que, a partir do prêmio, passou a ser convidado para eventos em vários estados e conheceu lojistas e colecionadores, o que melhorou sua posição no mercado.

